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Episódio de hoje: Toda Glória é Efêmera

Foto: Júlio de Pipia

Os Dossiês

Manobra claramente impensada da bancada governista na câmara municipal de Vitória, consiste em descaracterizar a credibilidade de vereadores da oposição.

Decorridos 4 meses de governo Aglailson Júnior, a tensão na câmara de vereadores tem aumentado gradativamente. À medida que projetos de interesse do Executivo vêm chegando à casa legislativa, os resultados das votações têm mostrado quem é quem e quem está com quem. Com isto, Mano Holanda (DEM), Geraldo Filho (PR), Xanuca (PSD), André de Bau (PSD) e Lourinaldo Júnior (PMDB), têm adotado uma postura mais contundente em relação aos atos da situação, da mesa diretora, dos projetos que chegam da prefeitura e da forma que eles entram em pauta nas sessões ordinárias.

No início dos trabalhos, na câmara, seu presidente, o vereador Novo da Banca (PSD), teve bastante dificuldade em definir um ponto de equilíbrio em atenuar os conflitos e minimizar os desgastes entre as bancadas de situação e oposição, comprometendo, por vezes, o cumprimento do regimento interno da Casa Diogo de Braga. Situação, esta, que vem sendo melhor administrada por ele, tendo em vista que a ineficácia de Jota Domingos (PTC), na função de líder de governo, vem sendo substituída pelo cinismo e malandragem do vice-líder, Toninho Nascimento (PRB).

Entretanto, indo de encontro aos anseios de quem espera por clima ameno na câmara, a base aliada do prefeito tem realizado reuniões, antes de sessões com pautas polêmicas, onde são apreciados projetos de interesse da prefeitura municipal, com o intuito de justificá-los, apontando ações da bancada da situação na câmara, na gestão passada, quando do governo Elias Lira (PSD).

Numa dessas oportunidades, equivocada ou maliciosamente, trouxeram informações improcedentes sobre a participação de Mano no governo Elias Lira, em se tratando sobre o aumento do IPTU. Jota Domingos, que foi quem proferiu os comentários, acabou sendo veementemente repreendido por Mano, que incorreu, ainda, em enfatizar o desprestígio de Jota, junto ao governo do município, bem como sua assessoria.

O que parecia ter sido um fato isolado, novamente voltaria a acontecer, na última sessão, realizada em 27 de Abril deste ano, quando discutindo sobre um projeto de lei, de origem do poder executivo, que versava sobre a revogação da doação de um imóvel ao Centro Social União e Trabalho, que tem como patrono o ex secretário de governo da gestão Elias Lira, Ozias Valentim (PSD). Na oportunidade, André de Bau realizou uma simples pergunta sobre o futuro do centro social a Jota, que por sua vez, tomou como uma provocação ou algo semelhante, vindo rapidamente a iniciar um discurso inflamado sobre doações realizadas na câmara, em Dezembro de 2016. André, entretanto, o interrompeu e justificou o caráter de seu questionamento, impedindo jota de continuar a ofensiva.

A falta de habilidade política, por parte da situação, tem comprometido o interesse do executivo. Projetos que tem legitimidade e quórum para serem apreciados e aprovados, tem sofrido com a repercussão negativa e provocado ainda mais conflitos entre os parlamentares. Isto tem ocorrido, principalmente, pelo fato dos projetos estarem chegando ao conhecimento dos oposicionistas, minutos antes do início das sessões, colhendo dispensa de comissões e surpreendendo os vereadores.

Uma manobra que desgasta, repercute e não traz nenhum benefício à bancada governista. Antes, os expõem como vilões e faz com que eles tenham que se posicionar, diante dos questionamentos e ataques da oposição. Fazendo com que vereadores com menos instrução, como Danda da Feijoada, que tem uma tolerância muito curta para tantos pormenores, suba à tribuna para proferir discursos e comentários que soam como bizarrices.

A câmara é uma entidade representativa pluralista e, assim sendo, é fortalecedor para a democracia, ter integrantes que venham das mais diversificadas classes sociais, segmentos e sorte de pensamentos. O que se espera, é que além de um debate positivo sobre as proposições levadas ao plenário, haja boa fé e interesse em cumprir com o papel para que foram eleitos estes legítimos representantes do povo, e não o que está acontecendo na câmara municipal de Vitória, onde há vereadores que gozam do clima quente das sessões para desfrutar de um bom sono, enquanto outros preferem ver assuntos promíscuos em seus smartphones.

Diante de posturas inadequadas que alguns dos edis têm adotado, como sendo parte de seus códigos de conduta, resta-nos contar-lhes uma pequena e esquecida anedota:

Quando um general da Roma Antiga retornava vitorioso era homenageado publicamente, desfilando com suas legiões pelas ruas da cidade. Nesse dia, ele usava uma coroa de louro e vestia-se com uma toga bordada de roxo e ouro. Em uma quadriga, carruagem com quatro cavalos, desarmado, vinha a frente dos soldados, prisioneiros e despojos de suas batalhas. Entretanto, durante toda a cerimônia, na mesma carruagem e bem atrás do general, um escravo sussurra em seus ouvidos o tempo todo:

“Olhe para trás. Lembre-se de que és um homem e toda a glória é efêmera”.

Que não estejamos jogando pérolas a porcos.

 

Da Redação;

Sobre André Ben

Desde 2013 acompanha as sessões da câmara de vereadores da Vitória de Santo Antão. Já atuou como assessor parlamentar e há 4 anos escreve matérias de natureza política para publicação em blog;

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